sábado, 28 de agosto de 2010

Nascido Para Ser Selvagem

Deixe seu motor funcionando
Dirija-se para a auto-estrada
Em busca da aventura
Não Importa o que aconteça em nosso caminho

Sim, querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Eu gosto de fumaça e relampago
O estrondo do trovão
correndo com o vento
e o sentimento que ele provoca em mim

Sim querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Como um verdadeiro filho da natureza
Nós nascemos, nascemos para ser selvagem
podemos escalar tão alto
eu nunca quero morrer
nascido para ser selvagem
nascido para ser selvagem

Deixe seu motor funcionando
Dirija-se para a auto-estrada
Em busca da aventura
Não Importa o que aconteça em nosso caminho

Sim querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Como um verdadeiro filho da natureza
Nós nascemos, nascemos para ser selvagem
podemos escalar tão alto
eu nunca quero morrer
nascido para ser selvagem
nascido para ser selvagem

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Balada Do Perdedor

Marcelo Nova

A noite parece tão promissora, luzes por todo lugar
Decotes, sorrisos, sussuros: cheiro de conquista no ar
E eu aqui sozinho tentando fazer esse isqueiro
Funcionar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Os astros cheiram o pô das estrelas e as trombetas
Estão soando
É no céu que se morre de tédio, os anjos estavam
Blefando
Eu conheci a mais bela vingança, vestida de noiva no
Altar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é pra quem não renasceu
Essa é pra quem jogou... e perdeu

Essa é pra paulo cezar que fez a mala e sumiu de
Vista
Essa é pra marta que pulou da janela de um 8º andar na
Paulista
Eu ouvi os sons da dor e da fúria mudarem de lugar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem brindou ao destino e ao vento
Traiçoeiro
Essa é pra quem nunca entendeu o exato valor do
Dinheiro
Eu vi a areia do tempo entre meus dedos escorregar
Parado em frente a porta do paraiso, mas sem vontade
De entrar

Mas não há porque sentir vergonha do ponto onde
Chegamos
Sobreviver é uma forma de arte na rua onde nós
Moramos
Não há sede que se possa aplacar, nem sonho que se
Queira sonhar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Se certifique das suas intenções quando for preencher
O papel
Pois é você quem carrega a bagagem no corredor deste
Velho hotel
Aqui não há serviço de quarto e talvez você tenha que
Ficar
Parado em frente a porta do paraiso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é rpa quem não renasceu
Essa é pra quem jogou... e perdeu

"À noite na enseada, fazia calor
Havia barcos e navios, sob um céu sem cor
Corremos pelo convés, pra da cabine constatar
Que os mares são escuros pr'um farol iluminar
Mas ficamos excitados, em poder viajar
Não importa o destino, serve pra qualquer lugar
Pra algum ponto perdido, em algum canto do mundo
Desafiar o oceano e a ira de Netuno

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro E Fogo

Com lunetas lá na proa, enxergar novos amores
E trancar lá no porão, nosso medo e nossas dores
Saber onde fica a tal terra prometida
Que vai nos dar o pão e curar nossas feridas
Todos a bordo, o comandante gritou
Suspender a âncora, a viagem começou
Somos bravos, somos fortes, nada pode nos parar
Nem o vento, nem a chuva, nem os segredos do mar

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro e Fogo

Venceremos os romanos e os seus galeões
Seu poder e sua glória, jogar aos tubarões
O vinho pra beber, o vento pra impulsionar
Singrar os sete mares e nunca mais votar
Mas um dia a calmaria aos poucos se fez perceber
Com seu silêncio traiçoeiro não nos deixou mover
Então as nuvens se uniram e o céu escureceu
E o que a gente não queria de repente, aconteceu

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro e Fogo

Lá no alto mar a tempestade desabou
Entre raios e trovões o nosso sonho afundou
E nada mais restou, além daquele desejo insano
De com apenas nossos braços cruzar o oceano
Cada um por si, fique preparado
Estamos tão famintos e boiamos esgotados
Mas quase afogando, o desejo não termina
Pois navegar a esmo, talvez seja a nossa sina

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro E Fogo."

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! (Florbela Espanca, «Cartas a Guido Battelli»).