quarta-feira, 8 de setembro de 2010

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QUAL É A SUA DOR?

por Léa Lima - lealima@linhalivre.net

"Não me importa saber o que você faz para viver.
Quero saber qual é a sua dor e se você tem coragem de encontrar o que o seu coração anseia.
Não me importa saber a sua idade.
Quero saber se você se arriscaria parecer um louco por amor, pelos seus sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me importa saber quais planetas estão quadrando a sua lua.
Quero saber se você tocou o âmago da sua tristeza, se as traições da vida lhe ensinaram ou se você se omitiu por medo de sofrer.
Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.
Quero saber se você pode conviver com a alegria, se pode dançar com selvageria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite sem lembrar das suas limitações de ser humano.
Não me importa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da traição e não trair a sua própria alma.
Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não sejam bonitos todos os dias e se pode perceber na sua vida a presença do espírito maior.
Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar de pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua... "SIM!"
Não me importa saber onde você mora e quanto dinheiro tem.
Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e desespero, exausto, e fazer o que tem que fazer.
Não me importa saber quem você é ou o que veio fazer aqui.
Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo, sem recuar.
Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou.
Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba.
Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta da companhia que carrega em seus momentos vazios."

Oriah Mountain Dreamer, um Ancião Nativo Americano

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Curinga

Sobre as águas, jogando seu pão,
Enquanto os olhos do ídolo, com a cabeça de ferro, estão brilhando.
Barcos distantes rumo à bruma seguem seus cursos,
Você nasceu com uma cobra em seus pulsos, enquanto um furacão estava soprando
Liberdade logo ao virar a esquina para você
Mas, com a confiança tão longe, de que servirá?

O sol põe-se tão velozmente no céu,
Você se levanta e diz adeus para ninguém.
Tolos correm para lugares onde anjos temem pôr seus pés,
O futuro dos dois, tão cheios de temor, você não tem nenhum.
Mudando mais uma camada de pele,
Mantendo-se a um passo a frente do perseguidor dentro de você.

Você é um homem das montanhas, você pode andar nas nuvens,
Manipulador de multidões, você distorce sonhos.
Você irá para Sodoma e Gomorra,
Mas o que te importa? Lá ninguém vai querer casar com a sua irmã.
Amigo do mártir, um amigo da mulher que causa vergonha,
Você olha dentro da fornalha escaldante, vê um homem rico sem nome.

Bem, o Livro do Livítico e Deuteronômio,
A lei da selva e do mar são seus únicos professores.
Na fumaça do crepúsculo sobre um corcel lácteo,
Michelangelo realmente poderia ter esculpido sua feição.
Repousando nos prados, longe do espaço turbulento,
Meio adormecido perto das estrelas, com um pequeno cachorro lambendo seu rosto.

Bem, o fuzileiro aproxima-se silenciosamente dos doentes e aleijados,
O pregador busca o mesmo, quem chegará lá primeiro é incerto.
Cassetetes e canhões de água, gás lacrimejante, cadeados,
Coquetéis molotov e pedras atrás de cada cortina,
Juízes pérfidos morrendo nas teias que eles mesmos tecem,
É só uma questão de tempo até que a noite se instale.

É um mundo sombrio, céus são escorregadiamente cinzentos,
Uma mulher acabou de dar à luz a um príncipe hoje e o vestiu de escarlate.
Ele irá pôr o padre no bolso, pôr a lâmina para aquecer,
Tirem as crianças sem mães da rua
E coloquem-nas aos pés de uma meretriz.
Oh, Curinga, você sabe o que ele quer,
Oh, Curinga, você não demonstra nenhuma reação.

Curinga dance para a melodia do rouxinol,
Pássaro, voe alto ao luar
Oh, oh, oh, Curinga.

sábado, 28 de agosto de 2010

Nascido Para Ser Selvagem

Deixe seu motor funcionando
Dirija-se para a auto-estrada
Em busca da aventura
Não Importa o que aconteça em nosso caminho

Sim, querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Eu gosto de fumaça e relampago
O estrondo do trovão
correndo com o vento
e o sentimento que ele provoca em mim

Sim querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Como um verdadeiro filho da natureza
Nós nascemos, nascemos para ser selvagem
podemos escalar tão alto
eu nunca quero morrer
nascido para ser selvagem
nascido para ser selvagem

Deixe seu motor funcionando
Dirija-se para a auto-estrada
Em busca da aventura
Não Importa o que aconteça em nosso caminho

Sim querida, faça isso acontecer
Pegue o mundo num abraço carinhoso
Dispare todas as suas armas ao mesmo tempo
E exploda espaço afora

Como um verdadeiro filho da natureza
Nós nascemos, nascemos para ser selvagem
podemos escalar tão alto
eu nunca quero morrer
nascido para ser selvagem
nascido para ser selvagem

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Balada Do Perdedor

Marcelo Nova

A noite parece tão promissora, luzes por todo lugar
Decotes, sorrisos, sussuros: cheiro de conquista no ar
E eu aqui sozinho tentando fazer esse isqueiro
Funcionar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Os astros cheiram o pô das estrelas e as trombetas
Estão soando
É no céu que se morre de tédio, os anjos estavam
Blefando
Eu conheci a mais bela vingança, vestida de noiva no
Altar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é pra quem não renasceu
Essa é pra quem jogou... e perdeu

Essa é pra paulo cezar que fez a mala e sumiu de
Vista
Essa é pra marta que pulou da janela de um 8º andar na
Paulista
Eu ouvi os sons da dor e da fúria mudarem de lugar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem brindou ao destino e ao vento
Traiçoeiro
Essa é pra quem nunca entendeu o exato valor do
Dinheiro
Eu vi a areia do tempo entre meus dedos escorregar
Parado em frente a porta do paraiso, mas sem vontade
De entrar

Mas não há porque sentir vergonha do ponto onde
Chegamos
Sobreviver é uma forma de arte na rua onde nós
Moramos
Não há sede que se possa aplacar, nem sonho que se
Queira sonhar
Parado em frente a porta do paraíso, mas sem vontade
De entrar

Se certifique das suas intenções quando for preencher
O papel
Pois é você quem carrega a bagagem no corredor deste
Velho hotel
Aqui não há serviço de quarto e talvez você tenha que
Ficar
Parado em frente a porta do paraiso, mas sem vontade
De entrar

Essa é pra quem deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é rpa quem não renasceu
Essa é pra quem jogou... e perdeu

"À noite na enseada, fazia calor
Havia barcos e navios, sob um céu sem cor
Corremos pelo convés, pra da cabine constatar
Que os mares são escuros pr'um farol iluminar
Mas ficamos excitados, em poder viajar
Não importa o destino, serve pra qualquer lugar
Pra algum ponto perdido, em algum canto do mundo
Desafiar o oceano e a ira de Netuno

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro E Fogo

Com lunetas lá na proa, enxergar novos amores
E trancar lá no porão, nosso medo e nossas dores
Saber onde fica a tal terra prometida
Que vai nos dar o pão e curar nossas feridas
Todos a bordo, o comandante gritou
Suspender a âncora, a viagem começou
Somos bravos, somos fortes, nada pode nos parar
Nem o vento, nem a chuva, nem os segredos do mar

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro e Fogo

Venceremos os romanos e os seus galeões
Seu poder e sua glória, jogar aos tubarões
O vinho pra beber, o vento pra impulsionar
Singrar os sete mares e nunca mais votar
Mas um dia a calmaria aos poucos se fez perceber
Com seu silêncio traiçoeiro não nos deixou mover
Então as nuvens se uniram e o céu escureceu
E o que a gente não queria de repente, aconteceu

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro e Fogo

Lá no alto mar a tempestade desabou
Entre raios e trovões o nosso sonho afundou
E nada mais restou, além daquele desejo insano
De com apenas nossos braços cruzar o oceano
Cada um por si, fique preparado
Estamos tão famintos e boiamos esgotados
Mas quase afogando, o desejo não termina
Pois navegar a esmo, talvez seja a nossa sina

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados A Ferro E Fogo."

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! (Florbela Espanca, «Cartas a Guido Battelli»).

domingo, 18 de julho de 2010

É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra, não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida...